segunda-feira, 8 de junho de 2015

Baba

Baba não é lá uma palavra muito bonita, muito menos sedutora. Aliás, a baba em si é nojenta, é baba.
Carla continua sua batalha pra encontrar um homem como o ‘balãozinho’. Aquele que dá conta do recado, mas que não quer nada com ela, com os problemas dela, com as angústias dela, indecisões e tudo mais que paira na cabeça de uma mulher recém-divorciada.
Ela, por sua vez, realmente não consegue compreender a inexistência deste tipo de homem. Ou é bom de cama ou é o teu irmão, amigo, cabeleireiro sabe-se lá.
Hoje ela decidiu que precisa de um homem maduro ao seu lado e decidiu sair com um conhecido de idade superior. Quase duas vezes sua idade. Marcou um café.
Café é sempre uma boa desculpa pra ver se vai rolar algo e caso contrário, cair fora. Para eles, os homens, é transa na certa.
O ‘tiozinho’ não faltou ao encontro.
Sessenta e oito anos, professor universitário, separado há anos. Intelectual, fumante, usa meias beges e mocassim. Não parecia uma boa combinação.
Quando entrou no café, avistou o ‘tiozinho’ bebendo um café e cheirando o casaco. Hesitou por uns segundos na escada, mas a sua situação sexual anda tão revirada que tomou coragem, respirou fundo e seguiu ao encontro 'bege' do dia.
Cumprimentaram-se. Ele beijou sua mão e pediu que ela sentasse ao seu lado. Ela sentou-se. E limpou o 'molhadinho' das mãos em sua calça.
Estava travada, dura. Nem a bolsa tirou. Ele falava. Ela não estava escutando nada, apenas sorria. Sorria e sorria cada vez mais amarelamente. Não parava de pensar na possibilidade de ser descoberta por algum conhecido. E bocejou com o papo chato do velho.
Ele percebendo que a sua oportunidade de diversão estava fadada acabar a qualquer instante, tascou-lhe um beijo cinematográfico.
E babou.
Ele babava demais. Tinha o lábio mole, a boca murcha e a baba solta. Ela tinha a impressão de estar sendo cuspida. Ele girava a cabeça dela loucamente, contornava seus lábios, mexia com os cabelos dela ao mesmo tempo em que soltava sua irritante baba dentro e fora da boca dela. Ela abriu os olhos várias vezes e tentava respirar um pouquinho e nada. Pensou em como o canozinho de sucção de sua dentista iria lhe ser muito útil naquele momento.
E ele desprendeu-se da boca dela, lambendo seus próprios lábios com uma cara de satisfeito.
Ela pegou guardanapos.
Minutos depois avistou um conhecido e decidiu que tinha que sair dali de qualquer jeito. Porém, apesar de não ter gostado tanto do beijo melecado, sair naquele momento era dar um adeus a sua imensa necessidade sexual.
Propôs um lugar diferente e mais reservado pra ele. Ele saltou da cadeira.
- Opa!
Foram a um motel na esquina do café.
Eram 3 horas da tarde. Mas, pra vontade que ela estava não tinha horário.
Entraram. Ele a tacou na cama e começou a lambuzá-la com toda a sua capacidade ‘babatória’. Ela decidiu se deixar levar. Ele a virou, revirou, tirou sua roupa com certa voracidade e... sentou-se na cama. Ela já estava toda alegrinha, mas o ‘bicho’ não subiu.
- Como assim?! Não, que isso, tenta mais um pouco, você consegue. – puxando o velho para cima dela.
Ele estava desolado.
Ela propôs beijinhos, masturbação, ‘boquete’, até sair pra comprar um Viagra na farmácia ao lado.
Ele desistiu. Botou a roupa e saiu.
Ela deve ter ficado ali olhando o teto até o horário do quarto acabar.
Foi pra casa. 
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Renata Fila Giriolli

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